São Paulo, 1 de Novembro de 2007 - O fornecimento de gás natural pela Companhia de Gás do Estado de São Paulo (Comgás) foi reduzido em 600 mil metros cúbicos por dia, de acordo com nota oficial divulgada ontem pela empresa. Essa quantidade, por enquanto, não representa prejuízo para os consumidores, segundo avaliação da secretária de Estado de Saneamento e Energia de São Paulo, Dilma Seli Pena. Porém, ele alerta para a insegurança que a decisão da Petrobras promoveu no País.
"Podemos entender que esta decisão da Petrobras é uma punição para a economia", disse, apesar de ter recebido garantias da diretora de gás e energia da estatal, Maria das Graças Foster, que não faltará o produto. "A doutora Foster afirmou que essa quantidade será suficiente. Se for ocorrer algum corte, seremos informados com antecedência", diz Dilma, reconhecendo que o País já vive o "apagão" do gás. "Sem dúvida, a nossa preocupação é com o período crítico, a partir de 2009, quando existe a possibilidade de um novo racionamento de energia elétrica".
No caso de racionamento, o fornecimento de energia elétrica será por meio das termelétricas, o que implicaria no uso maior do gás natural.
A Comgás, que recebe diariamente da Petrobras 1,9 milhão de metros cúbicos de gás natural, está buscando alternativas para evitar prejuízo aos clientes e negociando com um grupo de grandes consumidores a substituição do uso do insumo pelo óleo combustível.
A secretária Dilma Pena salientou que a Comgás o descumprimento do fornecimento por parte da estatal cabe uma ação judicial. "Se houver algum prejuízo, o estado tem um meio para entrar com uma medida judicial contra a Petrobras, que deverá ressarcir os clientes que substituíram o gás natural pelo óleo combustível", diz.
De acordo como comissário-chefe da Comissão de Serviços Públicos de Energia (CSPE), Zevi Kann, o estado de São Paulo tem planos de contingenciamento caso a Petrobras reduza o volume. O plano foi elaborado no ano passado quando a Bolívia ameaçou interromper o fornecimento de gás natural ao Brasil. A CPSE incentivou grandes consumidoras de gás natural a converterem equipamentos para os bicombustíveis, o que possibilitará a troca do insumo em casos de emergência. A partir de então, as indústrias aderiram aos contratos de interrupção no fornecimento, os chamados interruptíveis, elaborados este ano pela Comgás. "Essa flexibilidade nos contratos firmes da Comgás coloca o estado de São Paulo numa situação confortável. Os contratos de fornecimento da Comgás representam 17% do total, o restante é dividido com as outras distribuidoras, então podemos entender que a situação não é trágica, o que nos preocupa é o setor elétrico".
O executivo acredita que, no curto prazo, a situação de abastecimento de gás no País será resolvida com o Gás Natural Liquefeito (GNL), com a produção da bacia do Espírito Santo e, em seguida, o da bacia de Santos, no litoral paulista.
Entre os principais consumidores do estado e que utilizam grandes volumes de gás natural estão os fabricantes de vidro, que consomem diariamente 1.200 milhões de m³ de gás natural/ dia, segundo a Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro (Abividro),
que é constituída por quinze associadas e seis fornecedoras. Desse total, onze fabricantes estão no estado de São Paulo com cerca de 70% da capacidade de produção. Os demais associados estão distribuídos nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e no Sul. Para o superintendente da Abividro, Lucien Delmonte, pelo menos por enquanto, as indústrias estão operando normalmente com gás natural. "Neste momento não estamos enfrentando um problema de gás natural e sim de energia elétrica, por conta disso, estamos apreensivos. Presumia-se em função da falta de alternativa que não teríamos gás natural no futuro e restrito para o setor elétrico brasileiro, ou seja, a partir de 2008 até 2010, mas não neste momento", explica o executivo que comparou a iniciativa da estatal, com o início de uma crise semelhante ao do setor aéreo.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 8)(Ivonéte Dainese)
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