Projeto identifica associações ou cooperativas de catadores de materiais recicláveis no Nordeste, visando promover inclusão social. ASNOV, primeira beneficiada em Pernambuco, recebe cerca de R$ 25 mil em materiais e equipamentos
A Companhia Industrial de Vidros – CIV em parceria com a Fundação Avina está beneficiando a Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável (ASNOV), localizada em Garanhuns (PE). O projeto visa fortalecer e dar novo fôlego às cooperativas ou associações de catadores de materiais recicláveis no Nordeste. Além disso, garante mais trabalho aos cooperados, aumenta a renda familiar, gera novos empregos e proporciona o exercício pleno da cidadania através da inclusão social. Os parceiros esperam beneficiar entre oito e treze entidades de catadores, até o final deste ano.
“Para serem apoiadas, além de reunir condições que garantam serviços de qualidade, as associações ou cooperativas de catadores devem possuir auto-gestão e ser orientadas pelos princípios da economia solidária”, explica o coordenador de projetos da Fundação Avina no Nordeste, Federico Bellone. Tais prerrogativas estão representadas pelos critérios para obtenção do “Selo Amigo do Catador” (veja box). Isso significa que as parcerias devem gerar renda, cidadania e inclusão social para os trabalhadores, nas linhas expressadas pelo próprio Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis.
A ASNOV é a primeira beneficiada no Estado e receberá mais de R$ 25 mil, em infra-estrutura e equipamentos, para aprimorar o serviço de coleta seletiva de materiais recicláveis e entrega dos mesmos. Em contrapartida, a CIV espera arrecadar aproximadamente 10 toneladas de caco de vidro, por mês. A entidade foi escolhida por ser uma associação cujo trabalho envolve reciclagem e proteção ao meio ambiente, além de ter infra-estrutura e potencial de crescimento. “Esses são alguns dos pré-requisitos utilizados para identificar as organizações que serão beneficiadas pelo projeto”, explica Ronaldo Braga, gerente de logística da CIV.
COMITÊ E OBRAS
Para analisar as possíveis parcerias foi estabelecido um comitê, formado por representantes da Companhia Industrial de Vidros - CIV, FROMPET, associação ambientalista Pangea – Centro de Estudos Sócio-Ambientais e Protagonismo Juvenil; Aspan – Associação Pernambucana de Defesa da Natureza, Ascamar – Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis; Movimento Nacional de Materiais Recicláveis e Fundação Avina.
Inicialmente são detectados os problemas e necessidades para garantir a melhor qualidade do serviço e, em seguida, é liberada a verba para fazer os devidos ajustes. A ASNOV, por exemplo, não dispõe de carroças e a coleta seletiva é atualmente efetuada pelos catadores no caminhão da empresa Locar Ambiental, que realiza os serviços de limpeza urbana da cidade de Garanhuns. “Com a verba aplicada pelo projeto, a associação vai adquirir 20 carroças para ampliar o serviço e permitir a autonomia aos catadores que ainda dependem do caminhão da prefeitura para trabalhar”, explica Braga.
Hoje, o galpão da entidade está totalmente aberto, recebe muito sol e chuva, ficando ainda sujeito a roubos. Portanto, nesta fase inicial, serão realizadas obras para melhorar a infra-estrutura, evitar erosão e perda de material. O depósito da sede da ASNOV será cercado com muros de alvenaria e também vão ser construídas baias para separar o material reciclável. “Foi uma grande surpresa receber o apoio da CIV, porque nunca tínhamos fornecido matéria-prima para essa indústria. Com a reforma vai ficar mais fácil separar e estocar o vidro, que antigamente ficava no chão e quebrava com facilidade. Estamos muito entusiasmados, já que o vidro que coletaremos terá um preço melhor, pois será enviado diretamente para a fábrica”, diz a presidente da ASNOV, Maria das Dores Vieira.
A ASNOV vai adquirir, ainda, uma bicicleta com som para divulgar o serviço de coleta seletiva em toda a cidade. Além disso, os trabalhadores receberão Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), compostos por colete reflexivo, máscara, luvas e sapatos para realizarem o trabalho com mais segurança e sem riscos de contaminação. Já a ASPAN – Associação Pernambucana de Defesa da Natureza realizará mais cursos de capacitação com recursos da Fundação Avina e do ABN AMRO REAL.
Para o gerente de logística da CIV, com a compra das carroças e as obras na sede, entre outros ajustes gerais, a ASNOV passará a ter maior capital de giro e um acréscimo real na renda dos associados. Outra vantagem é estabelecer perspectivas de continuidade na relação empresa / cooperativa de longo prazo. A iniciativa também estimula a saída dos catadores dos lixões e promove a adoção do Selo Amigo do Catador, entre outros benefícios. “Tenho certeza que com esses novos apoios este poderá ser mais um exemplo a ser seguido por outras associações do Nordeste”, acredita Braga.
SOBRE A ASNOV
Fundada no início de 2004, a Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável – ASNOV é formada por 65 catadores, sendo 35 efetivos da entidade e, o restante, autônomos que coletam e vendem materiais para a associação. Inicialmente, a ASNOV recebeu apoio e capacitação da Prefeitura de Garanhuns e do Governo do Estado, através do PROGERA – Projeto de Geração de Renda, ligado à Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania. Todos os catadores foram retirados do antigo lixão e, após a criação do aterro sanitário, a ASNOV surgiu como uma forma de proporcionar melhores condições de trabalho e garantir mais renda aos catadores.
A coleta é feita de porta em porta pelos próprios catadores, em 11 bairros da cidade de Garanhuns, sempre de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h e, aos sábados, das 8h às 12h. A estimativa da presidente da ASNOV, Maria das Dores, é que aproximadamente 10 mil residências sejam atualmente atendidas pelo serviço. Os associados levam todo o material para o Núcleo de Coleta Seletiva, na ASNOV, onde é realizada a triagem de resíduos. Hoje, a entidade recebe o apoio da Prefeitura da Cidade de Garanhuns, do Governo do Estado, da ASPAN, do Centro de Articulação Retome sua Vida e do ABN AMRO REAL. Além da Companhia Industrial de Vidros – CIV, outras empresas podem colaborar com o projeto, através da Fundação Avina, a exemplo da Central Pet Indústria & Comércio Importadora e Exportadora Ltda (FROMPET) que também está apoiando a ASNOV.
SOBRE OS PARCEIROS
Companhia Industrial de Vidros – Controlada pelo grupo ICAL / Cornélio Brennand, a Companhia Industrial de Vidros – CIV é, hoje, uma das três maiores empresas do setor de embalagens de vidro do Brasil. Com oito fornos instalados nas suas quatro unidades fabris, localizadas no Recife e em Vitória (PE), Fortaleza (CE) e Salvador (BA), a CIV atua nos segmentos de alimentos, bebidas, farmacêuticos e utilidades domésticas.
Fundação Avina – Fundada em 1994 pelo empresário suíço Stephan Schmidheiny, a Avina estabelece parcerias com líderes da sociedade civil e do empresariado em iniciativas favoráveis ao desenvolvimento sustentável nos países ibero-americanos. Isto inclui nações de língua hispânica da América e o Brasil, mais os países da Península Ibérica (Espanha e Portugal).
Os valores e princípios que sustentam a Avina são a dignidade humana, a eqüidade de oportunidades, a liberdade, a responsabilidade social e o respeito pelo meio ambiente.
COMPROMISSOS DE AÇÕES PARA A OBTENÇÃO
DO SELO AMIGO DO CATADOR
1) Organizar a Coleta Seletiva corretamente em sua residência, escola, empresa ou instituição e encaminhar os materiais recicláveis prioritariamente para as Cooperativas ou Associações e Centrais de Triagem autênticas de Catadores de Materiais Recicláveis mais próximas de seu local que tenham prioritariamente licença* do Selo Amigo do Catador. Utilizar somente os PEVs – Postos de Entrega Voluntário que destinem os materiais para os catadores.
2) Realizar programas e campanhas de educação ambiental, com ênfase para a inclusão dos catadores, nos seus condomínios, nas suas Escolas entre funcionários e alunos e nas suas Empresas ou Instituições entre os funcionários, consumidores e fornecedores.
3) Divulgar a importância do trabalho do catador e a necessidade de sua inclusão social.
4) Manifestar-se a favor da gestão compartilhada de resíduos sólidos com a parceria das empresas sociais dos catadores com objetivo de garantir espaço de trabalho no mercado em detrimento da privatização.
5) Comprometer-se com o fortalecimento do Movimento dos Catadores que se organiza em Associações ou Cooperativas, superando a fome e a exclusão – documentos de referência: Carta de Brasília 2001 e Carta de Caxias 2003.
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