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Vendas de vidros para o setor de construção terão nova retração

Maio 6, 2016 Deixe seu comentário »

Matéria publicada pelo jornal Valor, por Chiara Quintão, em 04.05

A desaceleração do setor da construção civil tem se refletido em queda de vendas para o segmento por parte dos fabricantes de vidros. Para 2016, a Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro (Abividro) projeta retração de 10% a 15% no volume de vidro comercializado para a construção civil e para o setor moveleiro, após recuo de 15% no ano passado.

De janeiro a março, houve queda das vendas no patamar de 15% a 18%, conforme o superintendente da Abividro, Lucien Belmonte. A retração começou em maio de 2014, revertendo a tendência de crescimento. Naquele ano, o volume vendido ficou estável em relação ao de 2013.

Os números da Abividro incluem as vendas para o setor moveleiro, mas a queda para a construção é a mais expressiva. Há menos demanda de vidros para empreendimentos residenciais, comerciais e para obras de infraestrutura. Belmonte ressalta que, no segmento residencial, o volume de prédios em fase de conclusão está menor, em decorrência da redução dos lançamentos nos últimos anos.

A Guardian é uma das fabricantes de vidro que projeta menos demanda do produto para novos empreendimentos imobiliários. Até 2015, a empresa não sentiu retração na demanda de vidros para fachadas, pois o volume de entregas de imóveis era bastante expressivo. A partir deste ano, o número de prédios em conclusão começa a diminuir.

Depois de manter faturamento estável no ano passado ante os R$ 600 milhões de 2014, a Guardian estima queda de 10% em 2016, segundo o diretor-executivo no Brasil, Eduardo Borri. A empresa fornece vidros a clientes que transformam o produto para a construção civil – fachada de edifícios e interiores (espelhos, vidros para móveis, boxes de banheiro e portas) -, a indústria automotiva e a linha branca. A construção responde por fatia de 70% a 75% do seu faturamento.

Em 2014, a Guardian aumentou sua capacidade de produção de vidros para interiores, com investimento de R$ 40 milhões em nova linha de espelhos, em Tatuí (SP). Isso possibilitou ganho de participação de mercado no ano passado. O uso de vidro em reformas e interiores tende a aumentar, de acordo com o executivo, ao mesmo tempo em que cai o volume de novas construções.

Houve queda da demanda por vidros pela indústria automotiva e pela linha branca em 2015, e o executivo diz esperar estabilidade nas vendas para esses setores neste ano.

Em 2016, a retração do faturamento da Guardian não será maior porque a fabricante de vidros espera aumento de 30% nas exportações. A empresa, que já vendia produtos para a América Latina, deu início a embarques para os Estados Unidos neste ano. Diante da queda das vendas internas e da desvalorização do real, a Guardian elevou em 20% suas exportações em 2015.

A empresa não reduziu o quadro de pessoal em 2015 nem neste início de ano. “Estamos diminuindo o desperdício e sendo o mais eficiente possível”, diz. Não houve ajustes de preços em 2016, apesar do aumento de custos. Nenhuma alta está prevista, conforme o executivo. Além da fábrica de Tatuí, a Guardian produz vidros em Porto Real (RJ).

A Cebrace, líder no mercado de vidros planos no Brasil, projetava, inicialmente, estabilidade para o ano, mas revisou, no primeiro trimestre, a estimativa para retração de 10%, devido ao aprofundamento da crise econômica do país. Joint venture entre o grupo Saint-Gobain e a NSG-Pilkington, a Cebrace produz itens de base – vidro float (comum), espelho, vidro laminado e vidro de proteção solar.

Segundo diretor-executivo da Cebrace, Reinaldo Valu, os investimentos da empresa não foram cancelados ou postergados. “Conhecemos bem o caráter cíclico dessas crises e sabemos que devemos estar preparados para a retomada do mercado”, diz Valu. A Cebrace não divulga o faturamento.

Outra empresa que aposta no potencial do mercado brasileiro é a fabricante japonesa de vidros Asahi Glass Company (AGC). A companhia já anunciou investimentos de R$ 700 milhões em nova fábrica, que terá a capacidade de produção diária de 850 toneladas de vidro plano. A unidade, em Guaratinguetá (SP), produzirá vidros para a construção civil – mercado imobiliário e infraestrutura.

“Quando a confiança do consumidor for retomada, a engrenagem volta a se movimentar”, afirma o presidente da Abividro.

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